domingo, 12 de agosto de 2012

O Alzheimer, pelo paciente


Arthur Rivin - O Estado de S.Paulo de 03/02/2010

Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer.

Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos.
Mas demorei para suspeitar da minha própria aflição. 
Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76.
Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações.
Comecei então a esquecer nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.
Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais 
Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar.
O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava.
Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.
Minha mulher insistiu para eu consultar um médico.
Meu clínico-geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET que diagnostica a doença com 95% de precisão.
Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais.
Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite.
Meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento,  Namenda.
Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito.
Fui um dos raros felizardos.
Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido. 
Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide.
A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios.
Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.
No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença.
Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença. 
Mas há muitas coisas que aprendemos.
A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: - tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde. 
Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva.
Leia livros.
Faça caminhadas.
Dedique-se ao desenho e à pintura. 
Pratique jardinagem.
Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas.
Organize o seu dia.
Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3.
Não se afaste dos amigos e da sua família.
É um conselho que aprendi a duras penas.
Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava.
Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.
A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade dos que têm mais de 85.
A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030.
Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer.
Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação.
Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.
ARTHUR RIVIN FOI CLÍNICO-GERAL E É PROFESSOR EMÉRITO DA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA


Feliz dia dos Pais!

Ser pai é ter o dom de conduzir o filho nos caminhos certos da vida...
Ser pai é dar tudo de si sem esperar nada em troca....
Ser pai é cuidar...
Ser pai é estar sempre a disposição para aconselhar, orientar, guiar quando o filho esta sem rumo, perdido...
Ser pai é um privilégio.


Eu adoro ser pai e amo meu pai.

FELIZ DIA DOS PAIS.






quarta-feira, 1 de agosto de 2012

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

"As inteligências dormem. Inúteis são todas as tentativas de acordá-las por meio da força e das ameaças. As inteligências só entendem os argumentos do desejo: elas são ferramentas e brinquedos do desejo".
Rubens Alves, em Cenas da Vida.


RESUMO
Faz-se necessário uma visão do pensamento humano mais ampla e mais abrangente daquelas aceitas pelos estudos cognitivos tradicionais, sendo inegável a influência da Teoria de Jean Piaget que vê todo pensamento humano como uma luta pelo ideal do pensamento científico.Tomamos a decisão de escrever o presente artigo a respeito das "Inteligências Múltiplas", para enfatizar um número desconhecido de capacidades humanas diferenciadas, variando desde a inteligência musical até a inteligência envolvida no entendimento de si mesmo e as implicações educacionais de tais descobertas. Apresentaremos um background da teoria, definindo "inteligência", métodos de pesquisa, com uma visão da paisagem cognitiva, relacionando inteligência à criatividade, ao gênio, à prodigiosidade, à perícia e outras realizações mentais desejáveis.Uma consideração séria de ampla variedade de inteligências humanas que conduzem a uma nova visão de educação, sendo que a melhor maneira de compreender cada inteligência é concebendo-as como interrelacionadas, com possibilidade de existência de diferentes perfis intelectuais em diferentes grupos; resgatando portanto um novo papel para o educador.


Palavras-chave: inteligência, inteligências múltiplas, Jean Piaget, cognição.