terça-feira, 31 de julho de 2012

Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio

Há dias em que, simplesmente, não nos sentimos bem com a nossa aparência e pode ser que isso aconteça no dia da sua entrevista de emprego. O que fazer?

Você acordou cedo, desligou o despertador, se espreguiçou, tomou café e foi se olhar no espelho antes de se arrumar para a sua entrevista de emprego. Tudo está um desastre. Você dormiu com o cabelo molhado, aquela espinha nasceu, você tem olheiras e nenhuma roupa parece apropriada para você. Isso é totalmente passível de acontecer e, com certeza, muitos já passaram por isso. O nervosismo pode prejudicar-nos tanto que chegamos a pensar que não nos sairemos bem por causa de nossa aparência. Mas mesmo assim, há uma saída para isso.
Como fazer uma entrevista mesmo se sentindo feio?
Saiba como:

Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio - 1. Examine sua aparência

Você é/está realmente feio ou está sendo duro demais consigo mesmo? Entrevistas de emprego normalmente nos deixam nervosos e vulneráveis. Portanto, é necessário que você reflita e considere realmente a sua aparência. Pense se não é o seu nervosismo que está pondo você para baixo antes de se considerar pouco atrativo.
Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio - 2. Considere suas características
A maioria das pessoas tem características que elas gostam mais e menos. Por isso, se você acha seu olho bonito, destaque-o com uma maquiagem, por exemplo. Ser atraente é saber jogar bem com essas qualidades e defeitos. Ninguém é perfeito, todos temos defeitos. Mas isso não é desculpa para acentuá-los usando roupas inapropriadas, não arrumar o cabelo direito, agir sem confiança ou andar cabisbaixo.
Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio - 3. Investigue a empresa
Cada empresa tem seu próprio estilo. Investigue o estilo de cada um que trabalha lá. Que tal aparecer por lá uns dias antes? Talvez seja mais importante incorporar o estilo da companhia do que propriamente parecer bonito. Afinal das contas, a menos que a entrevista seja para modelos, a aparência não é essencial.
Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio - 4. Ajuda profissional
Se, mesmo assim, tudo está perdido, procure ajuda profissional. Conte para o seu cabeleireiro ou esteticista sobre os seus objetivos profissionais, sobre a empresa para a qual você quer trabalhar. No entanto, evite fazer mudanças drásticas, como botox e cirurgias plásticas. Lembre-se de que a busca incessante pela beleza é um labirinto sem volta.
Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio - 5. Roupas
Antes de considerar se você está bonito ou não, é mais importante estar vestido apropriadamente. Como já dito, procure descobrir o estilo da empresa. Descubra se você tem que ir de social, sport fino, casual, etc. Depois invista numa roupa bonita para a entrevista. Você pode também pedir conselhos para estilistas e até para o vendedor da loja.
Como fazer uma boa entrevista mesmo se sentindo feio - 6. Inteligência
Se você não é muito atraente, garanta-se pela sua inteligência. Se você se mostra esperto e como alguém que tem maestria na sua área, é provável que o entrevistador não se atenha à sua aparência e, sim, à sua inteligência e maestria.


sábado, 28 de julho de 2012

QUANDO DEVEMOS NOS CALAR

"Jesus, porém, nada lhe respondia." (Lucas 23.9)

Curioso, estranho e impressionante é esse silêncio do Senhor! 





Por que Ele nada respondeu às falsas acusações? Há somente uma resposta para isso. Jesus estava convicto: o Pai sabe da minha situação! Também Moisés, quando outrora foi atacado duramente pelos próprios irmãos, se calou e não abriu sua boca. Mas o Senhor o justificou.

Nós também somos chamados a seguir o exemplo de Jesus em situação semelhante, e isso significa não responder à ofensa com palavras ofensivas, mas ficar calados. Quanta destruição pode resultar por meio de uma única palavra! Por isso nunca combata a carne com a carne! Você não precisa se preocupar com a sua reputação ou com o julgamento que é feito de seu caráter, pois o Senhor conhece e julga você. Você causa um prejuízo enorme a si mesmo quando tenta aumentar ou salvar o prestígio próprio. Por isso, cale-se! Uma resposta dura abafa o falar suave do Espírito Santo. Você é incompreendido, menosprezado? Suas boas intenções são mal interpretadas? Isso não faz mal. Deus promete a você em Sua palavra: "Toda arma forjada contra ti, não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás..."

sexta-feira, 27 de julho de 2012

C u i d a d o! ! ! ! !

Olá amigos, 


Estamos entrando no período Eleitoral onde muitos saem prometendo tudo... Cuidado! Infelizmente muitos nada prometem, mas tem uma lábia que convencem qualquer um. Cuidado!


Veja quem destes tem serviços prestados em prol da sua comunidade, veja se o individuo tem exemplos de vida, comportamento, atitude de uma pessoa prestativa, companheiro, responsável, honesto... eis a questão, honesto. Tá difícil de achar, mas acredite, existem e vocês ainda encontram.


Lembre-se de uma coisa; Duvide da palavra de um homem, mas nunca de um homem de palavra.


Cuidado!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

LÍDERES QUE MUDARAM O MUNDO

Oie Gente! \o/
Hoje minha resenha pode não ser do agrado de muitos por abordar um tema histórico… Mas vamos dar uma chance ao gênero e ver minhas impressões sobre o tema:
LÍDERES QUE MUDARAM O MUNDO
Gordon Kerr

LIDERES_QUE_MUDARAM_O_MUNDO 

Editora: Larousse
Páginas: 527

Líderes que Mudaram o Mundo explora a vida e a carreira dos indivíduos mais extraordinários da história como Júlio César, Napoleão Bonaparte, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela. Alguns trabalharam e sofreram muito para mudar o mundo para melhor, enquanto outros, como Adolf Hitler ou Osama bin Laden, apenas tiveram sucesso em prejudicar a humanidade. Atemporal, o autor mergulha nos meandros da vida de cada um e em sua forma de liderar. Nem sempre para o bem. Nem sempre para o mal.
Comentários:
O livro traz mini-biografias de quem o autor julgou serem os maiores líderes mundiais da história, o que discordei em algumas partes.
Não sei qual foi o critério de escolha que ele usou, mas na minha opinião alguns nomes eram dispensáveis e outros tantos que eu considero importante não fizeram parte do livro.
Alguns nomes como Tamerlão e os ladrões do velho oeste, Jesse James e Butch Cassidy, eu nunca tinha ouvido falar… Senti falta de alguns líderes mundiais que com certeza fizeram a diferença como Benazir BhuttoGerônimoFrancisco FrancoLeon TrótskiAugusto PinochetPol PotYasser ArafatJosefina Bakhita e Sadam Hussein.
O livro foi dividido em 5 partes, sendo a parte I sobre líderes da antiguidade, parte II da idade média e o renascimento, parte III o iluminismo, parte IV século XIX e finalmente a parte V sobre os líderes do mundo moderno.
Um fato surpreendente pra mim, foi que entre os 12 líderes da antiguidade, dois deles eram mulheres: Boadieia e Hatchepsut. Algo pelo menos pra mim curioso, já que estamos falando de uma época totalmente machista e que em muitas culturas a mulher era inferiorizada.
Boadiceia foi uma rainha guerreira da antiga Britânia que persuadiu uma população a se opor aos romanos. Nessa guerra, cerca de 80 mil romanos e aliados morreram e, Hatchepsut foi uma rainha egípcia que abriu mão de ser mulher, passando a se vestir de homem, única forma encontrada por ela para governar uma civilização.
Na Parte I também temos 2 grandes – se não os maiores – líderes mundiais: Buda e Jesus Cristo.
Maomé, outro grande líder religioso, aparece apenas na parte II e, lendo sobre a vida dele cheguei a conclusão de algo até então desconhecido por mim. Buda e Jesus Cristo (pelo menos no que diz o mito religioso) jamais se envolveram em algum tipo de violência em massa, seja para proteção ou ataque, sendo que Maomé foi diversas vezes líder de ataques à Meca.
Poderia enfatizar todos aqueles do livro, que para mim merecem algum tipo de destaque, mais aí meu post se tornaria quilometrico.
Ao longo da minha leitura, fui fazendo algumas anotações daquilo que achei importante, e, ao final cheguei a 5 folhas frente e verso do que julguei interessante. Mas não se preocupem, não pretendo transcrever aqui minhas anotações. rs
De modo geral, achei o livro muito interessante, pois ele traz de uma forma simples e resumida, quem foram personagens importantes e notáveis de diversas culturas e etnias.
Apesar de poucas, além das duas mulheres que citei acima, também são mencionadas Golda Meir, Indira Gandhi e diversas outras Rainhas Européias.
O que não gostei no livro, foi que na história do Karl Marx e Fidel Castro, o autor omitiu fatos extremamente importantes sobre a vida de ambos.
Apesar de idolatrado por muitos, Karl Marx não foi nenhum santo. Muitas vezes deixou de dar o que comer para os próprios filhos, por julgar necessitar mais da comida por conta de seus escritos tão importantes. Devido ao egoísmo de Marx, alguns filhos dele morreram de fome.
Outra coisa não citada, é que “O Capital” teve uma grande (le-se enorme) participação de Engels, que inclusive finalizou o livro após a morte de Marx, que acabou levando praticamente todo crédito.
E sobre Fidel Castro, o autor também não comentou sobre a possível participação de Fidel Castro na morte de Che Guevara, seu ex-companheiro de guerrilha.
Enfim finalizando, para muitos de vocês o livro pode parecer um pouco enfadonho, mas ele é, na verdade, um relato com curiosidades e feitos importantes de pessoas que (espero) jamais cairão no esquecimento.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Por que pais maltratam filhos?

Ao longo dos séculos, e até há bem poucos anos, as crianças eram consideradas seres de menor importância. Era de aceitação comum na sociedade o abandono, a negligência, o sacrifício e a violência contra crianças, chegando ao filicídio, declarado ou velado, que levava as taxas de mortalidade infantil, na França do século XVIII, a níveis absurdos, inacreditáveis, de sempre mais de 25% das crianças nascidas vivas. Hoje, em muitos países, para cada mil crianças nascidas vivas, morrem menos de dez, antes de um ano de vida. Segundo Elisabeth Badinter, em Um amor conquistado - O mito do amor materno, na França daquela época raramente uma criança era amamentada ao seio da mãe. Morriam como moscas. Cerca de 2/3 delas morriam junto às amas de leite - miseráveis e mercenárias - contratadas pela família e nas casas das quais ficavam, em média, quatro anos, quando sobreviviam. Nos asilos de Paris, mais de 84% das crianças abandonadas morriam antes de completarem um ano de vida. Ainda no século XIX era comum a roda dos expostos nos asilos - no excelente Abrigo Romão Duarte, no Rio, ainda existe uma peça dessas em exposição -, o abandono dos filhos era uma rotina aceita. Mas foi a partir do final desse século que a criança, até então estorvo inútil - porque nada produzia -, passou a ser valorizada, sob a óptica de que deveria sobreviver para ser tornar adulto produtivo. A criança passou a ser protegida por interesses, antes de tudo econômicos e políticos, a partir da Revolução Industrial especialmente em fins do século XVIII. As sociedades protetoras da infância surgiram na Europa entre 1865 e 1870, e eram mais recentes, e menos representativas, do que a Sociedade Protetora dos Animais. A palavra pediatria só surgiu em 1872. De acordo com Elisabeth Badinter, os médicos, então, não tratavam as crianças. Achavam que isso era tarefa das mulheres - ou seja, das mães e amas, porque não existiam médicas. Em resumo, apesar de ainda não respeitada na sua individualidade, a criança começou a ser de alguma forma protegida há pouco mais de cem anos. Mas foi só no início do século XX, com Freud, que a criança passou a ser entendida no seu desenvolvimento psicológico. O castigo físico como método pedagógico, porém, secularmente pregado até por filósofos da grandeza de um Santo Agostinho, continuou até nossos dias. Ainda de acordo com Elisabeth Badinter, Santo Agostinho justifica todas as ameaças, as varas, as palmatórias. "Como retificamos a árvore nova com uma estaca que opõe sua força à força contrária da planta, a correção e a bondade humanas são apenas o resultado de uma oposição de forças, isto é, de uma violência". O pensamento agostiniano reinou por muito tempo na prática pedagógica e, constantemente retomado até o fim do século XVII, manteve, não importa o que se diga, uma atmosfera de rigidez nas famílias e nas novas escolas. Portanto, por que pais maltratam filhos? Eu diria: antes de tudo por hábito - culturalmente aceito há séculos. É comum pais afirmarem que apanharam de seus pais e são felizes. A eles dizemos que as coisas mudaram e que, hoje, devemos buscar outras formas de educar os filhos. Educá-los e estabelecer limites, com segurança, com autoridade, mas sem autoritarismo, com firmeza, mas com carinho e afeto. Nunca com castigo físico. A violência física contra crianças é sempre uma covardia. O maltrato, em qualquer forma, é sempre um abuso do poder do mais forte contra o mais fraco. Afinal, a criança é frágil, em desenvolvimento, e totalmente dependente física e afetivamente dos seus pais. Nesse sentido, acredito que a palmada se insira como uma forma de reconhecimento da insegurança, da fraqueza, da incompetência, dos pais para educar seus filhos, necessitando usar a força física. Não podemos esquecer também do modelo de violência que transmitimos e perpetuamos nas relações em família, quando estabelecemos limites com violência. Os filhos aprendem a solução de conflitos pela força - e tenderão a reproduzir esse modelo não só junto às suas famílias, mas em todas as relações interpessoais, na rua ou no trabalho. Inúmeros fatores ajudam a precipitar a violência de pais contra filhos: o alcoolismo e o uso de outras drogas, a miséria, o desemprego, a baixa auto-estima, problemas psicológicos e psiquiátricos. Nesse entendimento, achamos que pais que maltratam seus filhos devem ser orientados sempre e tratados e punidos, se necessário.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Depressão e a doença de Alzheimer

Lúpus

Dr. Samuel Kopersztych é médico reumatologista e trabalha no Hospital das Clínicas da USP e no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo.
Lúpus é uma doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres do que nos homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos.
O fato é que, no lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico.
Lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especialistas. Pessoas tratadas adequadamente têm condições de levar vida normal. As que não se tratam, acabam tendo complicações sérias, às vezes, incompatíveis com a vida.
DOENÇA AUTOIMUNE
Drauzio –  O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença de autoagressão, uma doença autoimune. Quais as principais características da doença autoimune?O
Samuel Kopersztych – A doença autoimune é fundamentalmente caracterizada pela formação de autoanticorpos que agem contra os próprios tecidos do organismo. Por isso, o nome autoagressão, às vezes, é mais feliz. O paciente, geralmente do sexo feminino, fabrica substâncias nocivas para seu organismo e o anticorpo, que é um mecanismo de defesa, passa a ser um mecanismo de autoagressão. Portanto, o que caracteriza a doença autoimune é a formação de anticorpos contra seus próprios constituintes.
Drauzio – Teoricamente, esses anticorpos podem agredir qualquer tipo de tecido e provocar as mais variadas doenças?
Samuel Kopersztych – Eles podem agredir qualquer tipo de território. De modo geral, a maior agressão ocorre no núcleo da célula, graças ao aparecimento de vários autoanticorpos contra substâncias presentes em seu interior.
Entretanto, o mais importante não é o anticorpo isoladamente. Do ponto de vista anatomopatológico, o que define a autoimunidade nos tecidos é a formação dos chamados complexos imunes.
COMPLEXOS IMUNES

Drauzio
 – O que se entende por complexo imune?
Samuel Kopersztych – A paciente que tenha a etnia lúpica, ou seja, formação genética constitucional que a predispõe a desenvolver lúpus, já possui autoanticorpos em grande quantidade. Quando uma substância vinda do exterior une-se a eles, forma-se o complexo antígeno-anticorpo. Isso ativa um sistema complexo de proteínas chamado de complemento e leva à formação dos complexos imunes, cuja concentração dita a gravidade e o prognóstico da doença, porque eles se depositam no cérebro e nos rins principalmente.
O complexo imune depositado no rim inflama esse órgão, produzindo a nefrite lúpica, importante para determinar se a doente vai viver muitos anos ou ter a sobrevida encurtada.
Drauzio – Qual é a substância exterior que mais agride essas pacientes?
Samuel Kopersztych – A radiação solar, em especial os raios ultravioleta prevalentes das dez às quinze horas, é a substância que mais agride as pessoas que nasceram geneticamente predispostas. Em estudos conduzidos no Hospital das Clínicas de São Paulo, foi possível detetar inúmeros casos de pacientes que tinham o primeiro surto logo após ter ido à praia e se exposto horas seguidas à radiação solar. Em geral, eram pacientes do sexo feminino, já que a incidência de lúpus atinge nove mulheres para cada homem. Nos Estados Unidos, há maior prevalência entre as mulheres negras; no Brasil, verifica-se equivalência de casos em brancas e negras.
CORRELAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS DE IMUNIDADE E ENDÓCRINO

Drauzio  Você disse que 90% dos casos de lúpus ocorrem em mulheres. Os hormônios sexuais desempenham algum papel nessa doença?
Samuel Kopersztych – É fundamental estabelecer uma correlação entre o sistema de imunidade, de defesa do organismo, com o sistema endócrino. O estrógeno (hormônio feminino) é autoformador de anticorpos; a testosterona (hormônio masculino) é baixo produtor. O estrógeno é sinérgico à produção de autoanticorpos e a testosterona, supressora. Na mulher lúpica, ocorre excesso de sinergismo, ou seja, excesso na produção de anticorpos, que se traduz pela taxa elevada da proteína gamaglobulina nos exames de laboratório.
Drauzio – Se suprimir a produção de estrógeno, a mulher melhora da doença?
Samuel Kopersztych – Infelizmente o que acontece com os animais de experimentação, cujos sintomas melhoram com a administração de hormônios masculinos, não se repete nas mulheres. Mulheres lúpicas que tomam hormônio masculino masculinizam-se nesse período, sem manifestar nenhum efeito terapêutico protetor importante.
CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO
Drauzio – Que indícios podem fazer uma pessoa desconfiar de que está com lúpus?
Samuel Kopersztych – Havia grande confusão diagnóstica em relação ao lúpus até a Sociedade Americana de Reumatologia enunciar onze critérios de diagnóstico, em 1971. A mulher que preencher quatro deles seguramente tem a doença.
Os dois primeiros referem-se à mucosa bucal. Entre outras lesões orais importantes, aparecem úlceras na boca que, na fase inicial, exigem diagnóstico diferencial com pênfigo, uma doença frequente em países tropicais. Pode ocorrer também mucosite, uma lesão inflamatória causada por fatores como a estomatite aftosa de repetição, por exemplo.
O terceiro critério envolve a chamada buttefly rash, ou asa de borboleta, que muitos admitem como o critério mais importante, mas não é. Trata-se de uma lesão que surge nas regiões laterais do nariz e prolonga-se horizontalmente pela região malar no formato da asa de uma borboleta. De cor avermelhada, é um eritema que geralmente apresenta um aspecto clínico descamativo, isto é, se a lesão for raspada, descama profusamente.
quarto critério é a fotossensibilidade. Por isso, o médico deve sempre investigar se a paciente já apresentou problemas quando se expôs à luz do sol e provavelmente ficará sabendo que mínimas exposições provocaram queimaduras muito intensas na pele, especialmente na pele do rosto, do dorso e de outras partes do corpo mais expostas ao sol nas praias e piscinas.
quinto critério é a dor articular, ou seja, a dor nas juntas, geralmente de caráter não inflamatório. É uma dor articular assimétrica e itinerante, que se manifesta preferentemente nos membros superiores e inferiores de um só lado do corpo e migra de uma articulação para outra. Geralmente, é uma dor sem calor nem rubor (vermelhidão) nem edema (inchaço), os três sinais da inflamação. Há casos, porém, em que esses três sintomas se fazem presentes, assim como podem ocorrer artrite e excepcionalmente inflamação no primeiro surto de 90% das pacientes
Drauzio – Quais as articulações mais atingidas?
Samuel Kopersztych – Preferentemente, as articulações dos membros superiores. A doença acomete punho, cotovelo, ombro e dedos das mãos, como se fosse um quadro de artrite reumatoide. Portanto, a artralgia (dor nas articulações) é um sintoma do lúpus que leva essas pacientes a procurar o reumatologista. Se não apresentarem dor articular, o diagnóstico clínico fica em suspenso.
Drauzio – São dores fortes que obedecem a um ritmo diário?
Samuel Kopersztych – Não há rigidez matutina como na artrite reumatoide. É uma dor migratória não muito intensa. Isso, muitas vezes, retarda o diagnóstico, porque a paciente entra em remissão e não procura o médico.
Drauzio  E o sexto critério, qual é?
Samuel Kopersztych – O sexto critério, e um dos mais importantes, é a lesão renal. Paciente com lesão renal acompanhada de hipertensão no primeiro surto tem prognóstico mais reservado. A hipertensão arterial denota que surgiu um processo inflamatório nas membranas das estruturas envolvidas no sistema de filtração do sangue que atravessa os rins e a paciente é acometida por glomerulonefrite.
Drauzio – Isso quer dizer que o rim começa a filtrar mal e deixa passar pelo poro renal substâncias que deveria reter?
Samuel Kopersztych – Se esse distúrbio não for tratado convenientemente, a paciente evolui para insuficiência renal rapidamente progressiva. Na verdade, é o rim que dita o prognóstico em 90% dos casos, que será pior ainda se for acompanhado do sétimo critério: a lesão cerebral. Seu primeiro sinal é uma convulsão, um ataque epilético comum que pode ser confundido como característico de doença exclusivamente convulsiva e relegar o diagnóstico e tratamento do lúpus para segundo plano. 

Drauzio – Qual é a lesão cerebral mais frequente?
Samuel Kopersztych – A lesão cerebral mais frequente revelada pelo exame anatomopatológico é a tromboembolia, ou seja, a deposição de coágulos no cérebro sob a forma de trombos locais ou de um êmbolo originário de outra região do corpo que entope o vaso cerebral. Como consequência, o tecido que depende dessa irrigação entra em anóxia e morre por falta de oxigênio. Além disso, quadros neurológicos graves, como hemiplegia (paralisia de um lado do corpo), plegia (paralisia parcial de uma parte do corpo) e quadriplegia (paralisia dos membros superiores e inferiores) parece estarem ocorrendo com maior frequência nos dias de hoje em virtude do aumento da sobrevida das pacientes.
O comprometimento cerebral, em geral, não acontece no início da doença. No entanto, se estiver ligado à lesão renal, as dificuldades terapêuticas se agravam bastante.
INCIDÊNCIA DE PENIAS

Drauzio
 – E o oitavo critério?
Samuel Kopersztych – No território do sangue, o lúpus estabelece as chamadas penias. Em 20% dos casos, a anemia hemolítica coincide com a ruptura dos vasos sanguíneos e a fragilidade dos glóbulos vermelhos, levando à anemia hemolítica autoimune, uma manifestação da síndrome pré-lúpica. A paciente pode ir ao consultório do hematologista com esse problema e logo em seguida ou alguns anos depois manifestar o quadro clínico completo do lúpus eritematoso.
Outra manifestação de penia mais incidente é a leucopenia, ou seja, a diminuição de glóbulos brancos, dos leucócitos. Em 40% dos casos, a leucopenia é traduzida pela produção de anticorpos principalmente dirigidos contra os neutrófilos, um tipo específico de glóbulos brancos que hoje faz parte do diagnóstico laboratorial do lúpus.
Outra possibilidade é a ocorrência da plaquetopenia, ou púrpura trombocitopênica idiopática, uma lesão provocada por anticorpos contra as plaquetas que não tem etiologia definida e que pode preceder, em alguns anos, a instalação do lúpus.
Essas penias são importantes e, muitas vezes, levam a paciente lúpica à esplenectomia, ou seja, à retirada do baço, porque os clínicos já sabiam de longa data que sem ele melhora a produção de glóbulos vermelhos. O baço funcionaria como uma esponja que reteria os anticorpos contra substâncias do sangue, e isso acentuaria a diminuição dos glóbulos vermelhos, brancos e das plaquetas. Retirando-se o baço, esses elementos seriam redistribuídos na circulação.
Acontece que pacientes lúpicas infectam-se com muita facilidade. A experiência nas enfermarias mostra que a retirada do baço em pacientes que sofreram acidentes de automóvel ou em crianças com traumatismos abdominais coincide com grande número de infecções, principalmente por salmonelas, bactéria que antigamente causava o tifo. Por isso, a retirada do baço numa paciente lúpica deve ser bem analisada.
GRAVIDEZ NAS PACIENTES LÚPICAS E OUTROS CRITÉRIOS

Drauzio
  E o nono critério?
Samuel Kopersztych – É o critério imunológico. Pacientes lúpicas apresentam uma reação falsamente positiva para sífilis e manifestam a síndrome anticoagulante lúpica que se caracteriza por trombose, embolias e abortos de repetição.
Drauzio  A gravidez é contraindicada para as pacientes lúpicas?
SamuelKopersztych – Há um conceito difundido inclusive entre alguns médicos de que pacientes lúpicas não devem, não podem e não engravidam em virtude de um problema imunológico. O argumento é que algumas dessas mulheres produzem anticorpos contra um constituinte especial chamado fosfolípedes, ou seja, substâncias com o radical fósforo do tipo gorduroso situadas na circulação. Esses anticorpos são responsáveis pela incidência de abortos recorrentes, aliás, outro sinal de pré-lúpus.
Drauzio – Isso quer dizer que elas engravidam e abortam repetidamente?
Samuel Kopersztych – Além de abortos de repetição, essas mulheres formam coágulos em várias partes do corpo. Formam trombos no cérebro e formam êmbolos. Paciente lúpica que não tenha esse componente talvez possa ter uma gravidez normal. No entanto, nas portadoras de lesão renal, aumenta muito a possibilidade de abortos ou de dar origem a um feto com pouca chance de sobrevivência. Na verdade, algumas não têm dificuldade para engravidar, mas a gravidez pode ser tempestuosa e difícil e exige segmento pré-natal feito por especialista.
Drauzio – Como você orienta uma mulher jovem com lúpus que quer ter filhos?
SamuelKopersztych– Acho que ela precisa ser informada do risco que correrá. Em 80% dos casos, pode haver uma piora da doença, exatamente o contrário do que ocorre com a artrite, que melhora durante a gravidez.
Drauzio – Você poderia citar o décimo e o décimo primeiro critério?
Samuel Kopersztych – A incidência de pericardites (inflamação do pericárdio, membrana que envolve externamente o coração) e de pleurites (inflamação da pleura, membrana que recobre o pulmão) também podem ocorrer em pacientes com lúpus. Em 70% dos casos, a pericardite é subclínica e diagnosticada apenas nas autópsias. Esse é o décimo critério; o décimo- primeiro é o fator antinúcleo.
EXAMES LABORATORIAIS

Drauzio
 – Além do quadro clínico, o diagnóstico de lúpus pode contar com um quadro laboratorial bastante característico, não é?
Samuel Kopersztych – O teste básico de laboratório é a pesquisa do fator antilúpus. O patologista vai avaliar o caso através de métodos de união antígeno-anticorpo com corante fluorescente. No exame de sangue comum, por meio dessa técnica, ele observa como cora o núcleo das células das pacientes lúpicas. Às vezes, cora difusamente; às vezes, em pontilhados pequenos e, às vezes, numa reação em anel. A resposta difusa indica lúpus benigno com lesão de pele e de articulações, mas sem comprometimento dos rins e do cérebro. Já, o achado em anel correlaciona-se com lesão renal e forte complexo autoimune circulante. Portanto, esse simples exame de sangue não invasivo dá ao clínico uma ideia do diagnóstico e do prognóstico. Se o fator antilúpus aparecer em alta concentração numa jovem, com quase toda a certeza, num futuro próximo, ela irá encaixar-se em todos os critérios de diagnóstico do lúpus.
EVOLUÇÃO DA DOENÇA

Drauzio
 – Você citou formas de evolução mais lenta e mais acelerada do lúpus. O que determina tal diferença?
Samuel Kopersztych – Quanto mais jovem for a mulher, pior será o diagnóstico. Lúpus dificilmente aparece em meninas que ainda não menstruaram. Em geral, o acometimento coincide com a época da menstruação e atinge mulheres na faixa entre 15 e 30 anos. Se não há lesão renal e cerebral no primeiro surto, trata-se de uma forma benigna de lúpus caracterizada por lesões de pele, asa de borboleta, dor nas juntas, sintomas facilmente controláveis com medicação. É também provável que a paciente não apresente os problemas correlacionados com o passar da idade e morra de outra causa que não o lúpus.
Se no primeiro surto, porém, ela manifestar lesão renal ou cerebral ou, o pior de tudo, as duas ao mesmo tempo, é sinal de mau prognóstico. Além disso, pesam fatores puramente imunológicos, por exemplo, a queda de algumas proteínas do sangue como complemento e o aparecimento de infecções. A evolução das pacientes no Hospital das Clínicas indica que o aparecimento de infecções é fator decisivo na evolução e prognóstico da doença.
Nos EUA, estatísticas mostram que a mulher negra tem evolução pior do que a branca. O que vimos no HC, entretanto, é que aqui há uma equivalência da doença entre mulheres brancas e negras.
TRATAMENTO

Drauzio
 – No passado, todos os casos de lúpus eram tratados com cortisona e seus derivados. Hoje, existem recursos mais eficazes?
Samuel Kopersztych – Temos recursos melhores, inclusive em relação à própria cortisona. Os corticoides modernos não são dotados de efeitos colaterais como aumento de pressão e grande retenção de sal e água. Outros podem ser injetados por via endovenosa. É o chamado pulso terapêutico que consiste em hospitalizar a paciente e infundir de uma só vez, numa única aplicação, grande quantidade de corticoide.
Drauzio  Os pacientes suportam bem essa técnica terapêutica?
Samuel Kopersztych – Suportam bem e a tendência à infecção é menor. O grande impulso, porém, foi conseguido com o advento de uma droga chamada ciclofosfomida, imunossupressor usado nos primórdios dos transplantes renais, e que pode ser aplicada nas pacientes com lúpus sob a forma de pulso terapêutico. Outras drogas usadas inicialmente nesse tipo de transplante foram aproveitadas pelos reumatologistas para controlar a formação dos complexos imunes.
Gostaria, ainda, de mencionar a plasmaférese, método terapêutico que pode ser aplicado quando a lesão renal está muito ativa. A doente é internada para retirar grande quantidade de plasma. Com isso, o hematologista elimina os complexos imunes circulantes em benefício da evolução benigna das lesões renais e cerebrais.
Drauzio – Contando com os recursos que temos atualmente, se for bem cuidada, uma mulher com lúpus têm condições de levar vida normal?
Samuel Kopersztych – Com segmento ambulatorial bem feito, tem condições de levar vida normal. Lúpus é uma doença grave, especialmente se houver lesão renal e lesão cerebral, mas hoje podemos contar com um contingente terapêutico importante e com antibióticos mais modernos que protegem contra infecções e garantem sobrevida maior para essas pacientes.
ORIENTAÇÕES ÀS PACIENTES
Drauzio – Sumariamente, que cuidados devem tomar as mulheres com lúpus?
Samuel Kopersztych– Ela deve proteger-se da radiação solar e usar fotoprotetor mesmo na cidade, porque não é só na praia e na piscina que o sol é intenso.
Deve procurar engravidar com parcimônia e sob grande supervisão. Deve tomar cuidado com a administração de pílulas anticoncepcionais, pois o aumento nos níveis de estrógeno pode desencadear novo surto da doença.
É importante, também, tomar cuidado para não contrair infecções. Evitar grandes conglomerados ou agrupamentos de pessoas e o contato com portadores de doenças infecciosas, que possam ser transmitidas, é uma precaução válida e indispensável.
Além disso, é preciso estar sempre atento ao psiquismo da paciente lúpica, que se altera muito com a doença. Às vezes, a primeira manifestação é um surto psicótico ou de ansiedade. Por isso, o equilíbrio emocional é meta importante na vida dessas mulheres.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Aprender é um exercício contínuo

Quanto mais a gente aprende, mais temos a certeza de que ainda há muito para se aprender. E como é bom quando a gente tem a noção exata de quanto ainda temos que aprender. Por mais bagagem que se tenha adquirido durante a nossa vida, aprender é um exercício diário e para mim que escrevo o aprender é sempre estimulante e, acima de tudo, de fundamental importância para o desenvolvimento de minha atividade.

Poder mergulhar de cabeça em algo que me dará mais conhecimento e mais habilidade, só vem a contribuir para a melhoria do meu trabalho. E se escrever é um exercício diário, e de fato o é, sempre que sou pego de sobressalto por algo pelo qual tinha certeza que dominava, mas que na verdade não dominava quanto deveria dominar, tenho a exata dimensão que além de exercitar minha escrita, preciso praticar a humildade de reconhecer que aprender é um exercicio contínuo.

A certeza da necessidade de que ainda há algo para aprender serve como um freio para a prepotência e para arrogância que nos toma de surpresa quando na nossa soberba, achamos que sabemos muito mais do que na verdade sabemos. E é isso que nos obrigamos a prosseguir na caminhada do aprender, pois se a escrita é nosso ofício, aprender é a nossa lição. E quem achar que não, deve colocar as barbas de molho.

Não é porque se atingiu um patamar de respeitabilidade que se deve abrir mão do aprendizado, muito pelo contrário, pois quando se torna uma referência, ou se tem o trabalho consagrado, premiado e elogiado, a cobrança por resultados e a exigência pela excelência se torna proporcional e a falta de conhecimento ou de habilidade necessária é capaz de colocar todo prestígio a perder. Portanto, quanto mais bem sucedido, maior a necessidade de se aprender.

Não devemos nos envergonhar de estar sempre aprendendo, pois a humildade de reconhecer nossa imensa ignorância nos faz sábio o suficiente para saber que para escrever, precisamos saber e para saber, precisamos aprender e para aprender, precisamos aceitar que não sabemos nada. Aqueles que desfilam a soberba e se acham tão bons a ponto de não precisarem aprender, uma hora ou outra, vão saber que sabem muito menos que achavam que sabiam.

Escrever é um exercício diário e aprender um exercício contínuo, só assim, admitindo a necessidade de que um complementa o outro, podemos nos qualificar e fazer do nosso trabalho algo que justifique que alguém nos prestigie. Negligenciar o aprendizado por se achar suficiente capaz naquilo que faz é correr o risco de saber que não se é aquilo que sempre se achou que era. 

Nunca é suficiente o que se aprende e sempre será muito pouco.